quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Inclinações - Kleber Nunes






Arrasta-me para o inferno ou para o céu
Para a desolação ou para o encantamento
Arrasta-me para o fel ou para o mel
Para o ócio degenerativo ou para o alumbramento

Tente tornar-me nuvem impotente diante do vento
Tente algemar minh’alma
Tente privar-me do tempo
Tente, tente, tente...

Atenderei aos teus apelos sim
Na medida do meu querer
Dos meus sonhos
Das minhas inclinações



quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Mãos - Kleber Nunes





Digitais que não me traduzem
Desenhos que nada refletem
Anatomia apenas
Mãos!

A mesma que acaricia, fere
A mesma que escreve, apaga
A mesma que perfuma, fede
A mesma que ascende, apaga

Não!
Não tenho minha vida nas mãos
O máximo que as mãos me permitem
É tocar a vida com a ponta dos dedos
Como uma criança testando se o forno queima
Se a tomada machuca
Se o pássaro bica
E volta chorando...


domingo, 20 de novembro de 2016

Flores - Kleber Nunes


 
Se no deserto uma flor nasceu
Venceu a terra árida e germinou
Se nem a poeira e o calor foram capazes de intimidá-la
Que assim seja!
 

Que venham as flores
As cores
O aroma
E a lágrima esperançosa do orvalho
 
 Alguns dias são áridos
E ainda assim as flores nascem
Algumas noites são frias
E as estrelas brilham
 
 
 
 

Isonomicamente falando... – Kleber Nunes


 
A utopia da igualdade insiste
Igualdade como!
Se do átomo ao anjo tudo é distinto
Tudo é inédito 

Ainda que o mesmo céu paire sobre cada criatura
A interpretação do seu azul é muito pessoal
E há os que são míopes
E há os que não são