domingo, 8 de janeiro de 2017

Antologia Poética - Kleber Nunes





O caminhante

O caminho é sempre inédito
Não há um mesmo lugar
Caminho e rotina nunca se encontram
Não há dois mergulhos num mesmo rio

Muda o entorno
O interno
Sucumbem certezas
E só resta seguir

Evoluir não é uma opção





Viva

Não procure se convencer que viver vale a pena
Há argumentos contrários demais
Apenas viva
E terás a disposição muitas possibilidades





 Florescer





Assim como as flores
A alma precisa ser cultivada para florescer
Carece de luz
De terra fértil

Ambas secam
Murcham
E morrem
Quando não há cultivo




Quem sou eu

Se sou o que penso que sou
Apenas sou
E não me importo...
Se sou o que penso que sou
E olho só para mim
Como deixar de ser assim?
Se sou o que penso que sou
Que bom que sou assim
Mas será que é bom para mim?
E se não for tão bom assim?
E se eu não for o que penso que sou?
E ser o que pensam de mim
Como viver assim?
Sem saber quem eu sou




O homem disruptivo



Não se condene a ter certezas sobre a vida
As certezas costumam cegar
Andam em linha reta
E os campos floridos além da estrada?

Quantos livros existem além dos poucos que já lemos
Quantos tentam explicar Deus
Quantas vezes juramos amor
Quantas decepções julgávamos improváveis

Sejamos disruptíveis
Dispostos a olhar as coisas de maneira virginal
A essência e os valores devem ser cultivados e refletidos
O resto precisa fazer sentido...




Sorriso de Duchenne

Quem distribui sorrisos edifica uma vida melhor
Combate a dor
Ilumina a escuridão
Aproxima-se de Deus
O verdadeiro sorriso é sagrado
Por que proporciona alento
Aconchega a tristeza
Envergonha a angustia
Restabelece a alma
Quem oferta um sorriso é antes de tudo sábio
Por que é o primeiro a recebê-lo
Quem o recebe sente esperança
Por que encontra abrigo
Sorrir faz remoçar
Mal humor faz caducar
Decida






quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Onde hospedou-se os corações? – Kleber Nunes





Tantos chegam
Tantos passam
Tantos ferem
Tantos afagam

Tantos amam
Tantos nada!
Tantos vivem
Tantos matam

E onde hospedou-se os corações?


domingo, 1 de janeiro de 2017

Que diferença faz o tempo - Kleber Nunes



Mais um ano se foi
Algumas conquistas
Algumas decepções
E tudo que nos trouxe até aqui pode não ser útil a partir de amanhã

O que há de efetivo em relação ao tempo
O passado edifica o presente
Portanto o hoje é impregnado de ontem
O que somos senão o resultado do tempo já vivido?

É ótimo quando gostamos do que vemos no espelho
Não se trata de acaso
Trata-se de uma identidade cultiva e cativada todos os dias
E se a imagem não agrada...

A lua acompanha-nos por toda estrada
O sol também
Há coisas que não conseguimos abandonar
Há outras que se distanciam até sumir no retrovisor

E o futuro?
Sabe-se lá dele!
É tanta projeção e tão pouca certeza
Sei do gosto que sinto em minha boca nesse momento

O que fazer para não ser apenas um ritual de passagem de ano?
Matemática que divide a vida em dias, meses e ano
Convenções
Aflições paulatinas

E agora que os fogos cessaram
Que os presentes foram abertos
Que o baú de coisas já vividas está mais cheio
Que diferença faz o tempo?