sábado, 6 de janeiro de 2024

Sonho meu - Maria Bethânia e Zeca Pagodinho (Dona Ivone Lara / Délcio Carvalho)

Sonho meu, sonho meu

Vai buscar quem mora longe, sonho meu
Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu

Vá mostrar essa saudade, sonho meu
Com a sua liberdade, sonho meu
No meu céu, a estrela guia se perdeu
A madrugada fria só me traz melancolia
Sonho meu

Sinto o canto da noite
Na boca do vento
Fazer a dança das flores
No meu pensamento

Traz a pureza de um samba
Sentido, marcado de mágoas de amor
Samba que mexe o corpo da gente
E o vento vadio embalando a flor
Sonho meu

Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu
Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu

Vá mostrar essa saudade, sonho meu
Com a sua liberdade, sonho meu
No meu céu, a estrela guia se perdeu
E a madrugada fria só me traz melancolia
Sonho meu

Sinto o canto da noite
Na boca do vento
Fazer a dança das flores
No meu pensamento

Traz a pureza de um samba
Sentido, marcado de mágoas de amor
Samba que mexe o corpo da gente
E o vento vadio embalando a flor
Sonho meu

Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu
Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu

Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu
Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe, sonho meu



Tive sim - Zeca Pagodinho (Cartola)

 

Tive, sim
Outro grande amor antes do teu
Tive, sim
O que ela sonhava eram os meus sonhos e assim
Íamos vivendo em paz
Nosso lar, em nosso lar sempre houve alegria
Eu vivia tão contente
Como contente ao teu lado estou
Tive, sim
Mas comparar com o teu amor seria o fim
Eu vou calar
Pois não pretendo amor te magoar




Pra fugir da saudade - Paulinho da Viola

Saudade

Você fez da minha vida
Uma rua sem saída
Por onde andou minha solidão
E hoje
Quando tudo é esquecimento
Uma flor sobrevive ao tempo
E se desfolha em meu coração
Para aliviar o meu sofrimento

Rompe em silêncio meu canto de felicidade
Dentro de um samba eu desfaço o que ela me fez
Quero abrigar, no entanto
Mais uma flor que renasce
Para fugir da saudade e sorrir outra vez



Ruas que sonhei - Paulinho da Viola

O sol que bate na calçada nesta tarde

Não trouxe o dia que anseia meu olhar
E leva embora o consolo dos olhares
Das morenas
Bem no tempo de sorrir e namorar
Toda beleza que havia nesta rua
Há pouco tempo deu um vento e carregou
E muita gente se vestindo de alegria
Vai fingindo todo dia
Que a tristeza já passou

Amor, repare o tempo
Enquanto eu faço um samba triste pra cantar
Te mostro a vida pra mudar o teu sorriso
Te dou meu samba com vontade de chorar
Amor, felicidade
É o segredo que outro dia te contei
O sol que morre nos cabelos das morenas
Um dia nasce sobre as ruas que sonhei




Peito Vazio - Roberta Sá e Ney Matogrosso (Cartola e Elton Medeiros)

Nada consigo fazer

Quando a saudade aperta
Foge-me a inspiração!
Sinto a alma deserta
Um vazio se faz
Em meu peito
E de fato eu sinto
Em meu peito um vazio

Me faltando
As tuas carícias
As noites são longas
E eu sinto mais frio

Procuro afogar no álcool
A tua lembrança
Mas noto que é ridícula
A minha vingança

Vou seguir
Os conselhos
De amigos
E garanto que
Não beberei
Nunca mais
E com o tempo
Essa imensa
Saudade que sinto
Se esvai




Movimento dos barcos - Maria Bethânia (Jose Carlos Capinan)

Estou cansado e você também

Vou sair sem abrir a porta
E não voltar nunca mais
Desculpe a paz que lhe roubei
E o futuro esperado que eu não dei
É impossível levar um barco sem temporais
E suportar a vida como um momento além do cais
Que passa ao largo do nosso corpo
Não quero ficar dando adeus
As coisas passando
Eu quero é passar com elas, eu quero
E não deixar nada mais do que as cinzas de um cigarro
E a marca de um abraço no seu corpo
Não, não sou eu quem vai ficar no porto chorando, não
Lamentando o eterno movimento
Movimento dos barcos
Movimento
Movimento dos barcos
Movimento
Movimento dos barcos



Lágrima - Maria Bethânia (Roque Ferreira)

Lágrima por lágrima hei de te cobrar

Todos os meus sonhos que tu carregaste, hás de me pagar
A flor dos meus anos, meus olhos insanos de te esperar
Os meus sacrifícios, meus medos, meus vícios, hei de te cobrar

Cada ruga que trouxer no rosto, cada verso triste que a dor me ensinar
Cada vez que no meu coração, morrer uma ilusão, hás de me pagar
Toda festa que adiei, tesouros que entreguei, a imensidão do mar
As noites que encarei sem Deus, na cruz do teu adeus, hei de te cobrar

A flor dos meus anos, meus olhos insanos, de te esperar
Os meus sacrifícios, meus medos, meus vícios, hei de te cobrar
Cada ruga que eu trouxer no rosto, cada verso triste que a dor me ensinar
Cada vez que no meu coração morrer uma ilusão, hás de me pagar
Toda festa que adiei, tesouros que entreguei, a imensidão do mar
As noites que encarei sem Deus, na cruz do teu adeus, hei de te cobrar...

Lágrima por lágrima






Luxúria - Isabella Taviani

Dobro os joelhos

Quando você, me pega
Me amassa, me quebra
Me usa demais...

Perco as rédeas
Quando você
Demora, devora, implora
E sempre por mais...

Eu sou navalha
Cortando na carne
Eu sou a boca
Que a língua invade
Sou o desejo
Maldito e bendito
Profano e covarde...

Desfaça assim de mim
Que eu gosto e desgosto
Me dobro, nem lhe cobro
Rapaz!
Ordene, não peça
Muito me interessa
A sua potência
Seu calibre, seu gás...

Sou o encaixe
O lacre violado
E tantas pernas
Por todos os lados
Eu sou o preço
Cobrado e bem pago
Eu sou
Um pecado capital...

Eu quero é derrapar
Nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos
Virar o jogo
Quero beber, o que dele
Escorre pela pele
E nunca mais esfriar
Minha febre...

Eu quero é derrapar
Nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos
Virar o jogo
Eu quero é beber, o que dele
Escorre pela pele
E nunca mais esfriar
Minha febre...

Desfaça assim de mim
Que eu gosto e desgosto
Me dobro, nem lhe cobro
Rapaz!
Ordene, não peça
Muito me interessa
A sua potência
Seu calibre, seu gás...

Sou um encaixe
O lacre violado
E tantas pernas
Por todos os lados
Eu sou o preço
Cobrado e bem pago
Eu sou
Um pecado capital...

Eu quero é derrapar
Nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos
Virar o jogo
Quero beber, o que dele
Escorre pela pele
E nunca mais esfriar
Minha febre...

Eu quero é derrapar
Nas curvas do seu corpo
Surpreender seus movimentos
Virar o jogo
Eu quero é beber, o que dele
Escorre pela pele
E nunca mais esfriar
Nunca mais esfriar
Nunca mais esfriar
Minha febre...



Adeus segunda-feira cinzenta - Zé Ramalho e Geraldo Azevedo

Eu tenho um espelho cristalino

Que uma baiana me mandou de Maceió
Ele tem uma luz que alumia
Ao meio-dia reflete a luz do sol

Cachorro latindo, chorando sem pai
O tempo mentindo que o vento do norte não sabe soprar
O mar se levanta com tal desespero
Que eu penso que a terra não sente a cratera
Querendo lavar
Levar a cabeça pro fundo do mar
E ver que essa areia de grãos tão pequenos
É chão de um país
Que foi que eu fiz pra não merecer
Um beijo mais quente que a boca do povo viria dizer
Dizer que me amas, que és meu amor
Mas onde procuro, a cor desse olho é denso negror
É como o bafejo da hidra de sal
Dragões do meu sono, que rasgam anúncios na televisão

Eu tenho um espelho cristalino
Que uma baiana me mandou de Maceió
Ele tem uma luz que alumia
Ao meio-dia reflete a luz do sol
Eu tenho um espelho cristalino
Que uma baiana me mandou de Maceió
Ele tem uma luz que alumia
Ao meio-dia reflete a luz do sol



Vai ficar pra mim - Guilherme Arantes

Eu não sei pra que

Eu fui responder ao seu chamado
Que num instante
O melhor de mim
Você conheceu
E me deu
Esperança onde eu não via fantasia
Com ninguém
Viajei
Vendo a gente combinando tão bem...
Pra logo depois
Você me ligar
Pedindo um tempo
Já não sabia mais
Se ainda queria ou não
Nenhuma explicação
Me expulsou
Como um simples invasor na sua vida
Quando tudo o que eu quis
Foi amar, te fazer feliz
Mas quem sou eu???
Como esqueceu
Do que viveu
Comigo
Tão rápido assim?
Se o teu olhar
Jamais mentiu
Foi lindo,
E vai ficar pra mim...



Baile de máscaras - Guilherme Arantes

Num baile de máscaras qualquer

Colombina e Pierrô
Cansados de procurarem
Cada qual seu par
Se convidaram pra dançar
Pra não assistir a noite passar
Dois velhos amigos a se consolarem
Da solidão, mais uma vez
Rogando aos músicos que toquem
Aquelas canções todas
De recordações vivas
Belos e jovens
De olhos fechados pelo salão
E quando a orquestra deu o final
Não se apartaram
Como seria o costumeiro e habitual
Foram abraçados até os portões
E saíram pra ver
O romper dos clarões do dia
Seguiram caminhando
Na calma dos amantes
Como se o tempo houvesse parado
Daquela noite em diante
E se visitaram
E se reencontraram
Dias depois já não eram mais assim tão só
E se consumiram
E se violentaram
No fogo e paixão
Da fúria e do medo
Dos peitos sôfregos de afeto
E os dias foram longos
E os beijos foram tantos
Lavaram as almas
De tristes memórias
Na água dos prantos



A cidade e a neblina - Guilherme Arantes

Na neblina a cidade amanheceu

Sonolenta como os últimos boêmios
E os primeiros trabalhadores matinais
Com seus gorros, capotões e cachecóis

A neblina dá uma certa imprecisão
A paisagem fica sem definição
As capelas e os velhos casarões
Na neblina ficam sobrenaturais

Qual, qual de vocês não acha belo
Quando ela desce
Quando ela deixa tudo translúcido?

Na neblina os rochedos pelo mar
São terríveis para quem fôr navegar
O aeroporto, então, acende os faróis
E não sobem, e não descem aviões

Qual, qual de vocês não acha belo
Quando ela desce
Quando ela deixa tudo translúcido?