domingo, 21 de janeiro de 2018

Tudo é inédito – Kleber Nunes



A última dose
A última gota de sangue
A penumbra das últimas horas
O último beijo
O aceno final
E lá se vai o trem
Dói muito
Mas o dia amanhece

A primeira dose
O sangue renovado
O sol surgindo no horizonte
O primeiro beijo
O reencontro
O trem chegando

Começo e fim se confundem
Andam de mãos dadas

Tudo é inédito
E não há ponto final 






terça-feira, 31 de outubro de 2017

Sujeito do próprio ser - Kleber Nunes


Produzir a própria vida é celestial
Vida estática é sobrevida
Reinventar-se é essencial
 
A vida como semente
Que fora do solo nada germina
Que cultivada vira gente
 
Cuidar do próprio jardim
Vê-lo florir
E um dia poder colher

O exercício de ser livre – Kleber Nunes

Há homens livres enclausurados
E enclausurados livres
Livres limitados
E limitados libertos

Eis a face sutil da escravidão
Voraz
Sedutora
Cruel

Ir e voltar
Comer ou rezar
Falar ou calar
Ignorar ou amar

Revela a ínfima parte daquele que se julga livre

Questionar e inconformar-se
Dividir e multiplicar-se
Enxergar-se falho e ajustar-se
Amar e amar-se


Revela os primeiros passos daquele que almeja ser livre


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Muito além do horizonte – Kleber Nunes



Fitar o horizonte é transmutar-se
Mirar além das nuvens
Além do mar aberto
E mergulhar em pensamentos

Sentir-se finito diante do infinito
Infinito em meio as possibilidades
Ínfimo diante do todo
E todo enquanto único

Refletir a todo instante
Extenua de tantas sinapses
Sequestra a sanidade
E ao mesmo tempo liberta


sábado, 30 de setembro de 2017

Quintessência – Kleber Nune




O raso de tudo é obviamente mais simples
Parece sempre a melhor opção
Banhar-se na praia é para todos
Mergulhar em águas profundas não

Uma vida é pouco
Para entender tantos desígnios
Tantas possibilidades
Entender-se

Entre isso e aquilo
Há outras opções
Eis a faculdade mais nobre da alma
O pensamento, reflexivo e livre